![]() |
| Fragmento de mata nativa |
Desde meados da década de 1990, realizamos um trabalho de conservação ambiental, protegendo os mananciais e aumentando os fragmentos de mata atlântica existentes na fazenda. Diversas nascentes brotam nos grotões da Serrinha. Esses olhos d’água compõem as cabeceiras da bacia do Piracicaba, que é fundamental para o abastecimento de água no estado de São Paulo.
![]() |
| Viveiro |
Primeiramente, retiramos o gado e cessamos a prática de queimadas. Em seguida adotamos a roça seletiva e, agindo como os dispersores naturais de sementes, passamos a enriquecer a biodiversidade, muito empobrecida em toda a região. O espaço das pioneiras fomos preenchendo com espécies produtivas, não necessariamente nativas, seguindo os princípios da agrofloresta: reflorestando e produzindo alimentos.
Embora sem uma mensuração científica - nossa ação foi sempre muito informal -, os resultados são claros, como nos mostram as saracuras, os jacus e os bugios que passaram a habitar o antigo pasto de braquiária e o velho eucaliptal. Agora, gradativamente, formalizamos e profissionalizamos o projeto, procurando não perder as espontaneidade e o espírito de semeadores.
Em 2001, o Ibama (atual ICMBio) reconheceu parte de nossa propriedade como Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN –, o que assegura em caráter perpétuo a preservação das áreas tombadas.
Como parte desse projeto, realizamos atividades de educação ambiental para escolas e universidades, proporcionando vivências na natureza e estudos do meio.
![]() |
| Ilha Verde n° 1, em maio de 2011 (os margaridões em flor seriam podados em seguida para "alimentar" a terra) |
Em 1998, pouco após iniciarmos o processo de recuperação ambiental na fazenda, que se pretendia ambicioso e em larga escala, percebemos que a coisa não ia tão bem como desejávamos. Nossas ótimas intenções sofreram um choque de realidade ao observarmos que na maioria dos locais em que havíamos depositado energia – plantios exaustivos e muitos quilos de sementes na terra –, a coisa simplesmente voltara à estaca zero, com invasão de braquiária e muita terra nua, exceto próximo às áreas mais habitadas da fazenda, onde, sob cuidados mais intensivos, as mudas vingavam e cresciam bem.
![]() |
| Antiga área de erosão, chamada de "Vermelhão", em dois momentos: 1997 e 1998 |
Ainda sem conhecer o conceito de corredor ecológico, começávamos a estabelecer informalmente conexões entre os fragmentos florestais da fazenda e da vizinhança, pequenas “ilhas verdes” onde as aves logo começariam a pousar e onde o enriquecimento da vegetação criava uma situação ecológica mais favorável.
![]() |
| O antigo "Vermelhão", em 2002 (o capim napiê funcionou como adubo verde para as mudas florestais) |
Ao longo dos festivais de arte que ocorrem anualmente na Serrinha, o conceito das “ilhas” foi incorporado criativamente nas instalações artísticas “Fértil”, de Fernando Limberger, composta por três canteiros coloridos e cercados implantados em pontos representativos da fazenda, e em “(I)mobiliário”, de Gustavo Godoy, obra em que cadeiras e bancos funcionam como extensões de galhos de eucalipto, e que foi adotada pelos pássaros como poleiro.















