parque de instalações


"A grande espiral", de Bené Fonteles


Desde que se iniciou um processo de restauração da mata atlântica, da biodiversidade e dos processos naturais na Fazenda Serrinha, cada intervenção humana realizada ali é pensada, planejada e executada partindo da premissa de que seu resultado deve produzir o mínimo impacto sobre o ambiente – ou, preferencialmente, trazer-lhe benefícios.

"Laboratório da paisagem", de Bené Fonteles
Pela própria vocação da fazenda – desde muito antes da existência do festival frequentada por artistas e utilizada como espaço de produção – o parque de instalações, em contínuo movimento de criação e recriação, é um componente artístico intrínseco a esse processo. As instalações constituem as “pegadas” deixadas por esses artistas, que corroboram o esforço de recuperação dos ambientes naturais ao ressignificá-los e experimentá-los de forma harmoniosa e livre.

No que tange puramente aos componentes artísticos, um aspecto que merece destaque, por apontar para a contemporaneidade dessa produção, é o espaço que ela ocupa. Unidas a uma tradição que teve início nos anos 1960, as obras não se encaixariam nos espaços neutros dos museus e galerias de arte – os chamados cubos brancos –, demandando novas possibilidades de ocupação.

São trabalhos que ampliam as formas de recepção estética e se abrem a relações múltiplas de interação não apenas com as pessoas, mas também com todas as espécies animais e vegetais do entorno. Obras construídas especificamente para aqueles espaços – site specifics –, elas possuem caráter dinâmico e vivo, ao incorporar a ação do tempo na sua constituição, que as assemelham a organismos vivos. Algumas são permanentes; outras vão desaparecendo ao sabor das intempéries.

"Fértil", de Fernando Limberger
Em 2012, o parque de instalações será ampliado. Serão instalados trabalhos inéditos de Ana Paula Oliveira, Carlos Fajardo, Dudi Maia Rosa, Edith Derdyk, Floriana Breyer, Frans Krajcberg, José Spaniol, Laura Vinci e Rochelle Costi.

Obra de Humberto Brasil
Essas obras se somarão às já existentes no espaço da fazenda. São elas “Laboratório da paisagem”, de Luiz Hermano, “Grande espiral”, de Bené Fonteles, “Nau”, de Eduardo Srur, “(I)mobiliário”, de Gustavo Godoy, “Fértil”, de Fernando Limberger e “Mula sem cabeça”, do coletivo Bijari, além de uma obra sem título de Humberto Brasil.

O projeto incluirá um programa de formação de arte educadores da rede pública municipal de ensino de Bragança Paulista e de visitação para alunos das escolas municipais e
estaduais e faculdades de arte da região.

Consolidado, o Parque de Instalações da Serrinha tornar-se-á o único espaço expositivo e ambiente arte-educativo da região dedicado à arte contemporânea, sendo também um local de reflexão sobre as interferências humanas nos ambientes naturais.


"Nau", de Eduardo Srur